quinta-feira, 9 de julho de 2009

Emergentes e G8 chegam a acordo sobre metas climáticas e liberalização da economia

09/07/2009 - 19h12


Do UOL Notícias*

Em São Paulo

Líderes do G8 e do G5 entraram em acordo e estabeleceram metas climáticas e o prazo para concluir as negociações sobre a liberalização do comércio mundial até 2010. Pelo acordo, realizado no segundo dia do encontro de cúpula em L'Áquila, na Itália, os países terão que reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa em 80% até 2050 e, nesta mesma data, limitar o aquecimento global em até 2ºC acima dos níveis pré-industriais.

Índia e China, que integram o G5 ao lado de Brasil, México e África do Sul, resistiam em aceitar as propostas, mas cederam. Indonésia, Coreia do Sul, Austrália e Egito, que se associou ao G5, deram aval ao acordo, que deve orientar a conferência internacional do clima, marcada para o final do ano em Copenhague, na Dinamarca.

Os países, no entanto, não citaram medidas concretas para que as metas sejam alcançadas, nem anunciaram qualquer tipo de ajuda econômica para que países em desenvolvimento consigam alcançar os objetivos. Também não foram estabelecidos metas à curto prazo.

Com relação à liberalização da economia, os líderes do G8 e G5 comprometeram-se a resistir ao protecionismo e a definir até 2010 as negociações da Rodada de Doha, cujo propósito é eliminar direitos aduaneiros e reduzir os subsídios agrícolas nos países ricos.

Os países não chegaram a uma decisão sobre fixar prazos para que o Irã interrompa seu programa nuclear. Uma posição sobre esse assunto só será tomada na próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro.

*Com informações dos jornais Deutsche Welle (Alemanha) e The Wall Street Journal (EUA)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Trabalho técnico clássico: On the definition of ecological species groups in tropical rain forests


Caros,

este trabalho foi publicado em 1988, por Whitmore. Um conceito muito importante é consolidado: a distinção entre espécies de árvores de floresta tropical pioneiras e não-pioneiras, fundamental para quem lida com recuperação florestal. Apesar de ser em inglês, é pequeno e didático. Aproveitem este clássico.

Baixe o artigo aqui.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Prefeitura do Rio cria normas de uso e ocupação do solo na comunidade Santa Marta

DECRETO Nº 30870 DE 3 DE JULHO 2009.


REGULAMENTA A LEI N.º 3135, DE 05 DE DEZEMBRO DE 2000, ESTABELECENDO AS NORMAS DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO DA COMUNIDADE DE SANTA MARTA, EM BOTAFOGO.


O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições legais e,


CONSIDERANDO que a comunidade de Santa Marta foi declarada como área de especial interesse social pela Lei 3135 de 05 de dezembro de 2000;

CONSIDERANDO que a comunidade de Santa Marta está sendo urbanizada pelo poder público, através do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC;


DECRETA

Art. 1.º O uso e ocupação do solo da área de especial interesse social - AEIS da comunidade de Santa Marta, declarada pela Lei n.º 3135, de 05 de dezembro de 2000, obedecerão às normas estabelecidas neste Decreto, consoante o parágrafo único do art. 2.º da Lei 3135 de 05 de dezembro de 2000.


Art. 2.º São partes integrantes deste Decreto os seguintes anexos:

I – Anexo I – Delimitação da área de especial interesse social.

II – Anexo II – Localização e número de pavimentos das edificações existentes.

III – Anexo III – Delimitação de subzonas e número máximo de pavimentos por subzona.

IV – Anexo IV – Áreas impróprias para ocupação.


V – Anexo V – Delimitação das áreas públicas e privadas.


VI – Anexo VI - Formulário para autorização de obras e concessão de habite-se.

Art. 3.º São permitidos todos os usos e atividades complementares ao uso residencial, não poluentes e que não causem incômodo à vizinhança e que não impliquem a comercialização (compra e venda) e armazenagem de:





I – Ferro velho;





II – Produtos inflamáveis (exceto tintas e vernizes) e explosivos;





III – Gás liqüefeito de petróleo;





VI – Armas e munições.





VI. Parágrafo único. As atividades que estejam submetidas às normas e regulamentos específicos para fins de licenciamento e alvará deverão ser aprovadas pelos órgãos competentes.





Art. 4.º O número máximo de pavimentos, de qualquer natureza, das novas edificações ou acréscimo das existentes obedecerá ao definido no Anexo III do presente decreto.





§ 1.º Fica proibida a construção de novas edificações, exceto as de iniciativa e responsabilidade do poder público e aquelas destinadas ao reassentamento de população situada em áreas de risco e de preservação ambiental e em áreas objeto de projeto de urbanização da comunidade.





§ 2.º No caso das edificações de iniciativa do poder público, assim como aquelas destinadas ao reassentamento de população situada em áreas de risco e de preservação ambiental e em áreas objeto de projeto de urbanização da comunidade, as edificações poderão ter até 4 pavimentos de qualquer natureza.





Art. 5.º As edificações deverão apresentar condições suficientes de higiene, segurança e habitabilidade, e respeitar o alinhamento definido pelo Anexo V deste Decreto.





Art. 6.º Ficam consideradas regularizadas todas as edificações existentes constantes do Anexo II deste Decreto para fins de concessão de habite-se e inscrição imobiliária.





Parágrafo único. Ficam excetuadas as edificações que tiverem mais de três pavimentos.





Art. 7.º A autorização de obras e o habite-se das edificações serão concedidos mediante solicitação em formulário específico, constante do Anexo II deste Decreto.





Art. 8.º Nas áreas da Rua Jupira e Marechal Francisco Moura que estejam fora dos limites da área de especial interesse social, as condições de uso e ocupação do solo deverão obedecer as disposições das legislações existentes para estes locais.





Art. 9.º Deverão ser implementadas pelos Órgãos competentes campanhas elucidativas junto à população residente, a fim de esclarecer os parâmetros urbanísticos aos quais as edificações estarão submetidas para o licenciamento e regularização de obras novas.





Art. 10. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.





Rio de Janeiro, 3 de julho de 2009 – 444º ano da fundação da Cidade





EDUARDO PAES

sábado, 4 de julho de 2009

Apenas para registro: Programa Produtor de Água é lançado no Rio de Janeiro


14/05/2009

Foi lançado no último dia 11/5, o programa Produtores de Água e Floresta, no município de Rio Claro, no Rio de Janeiro, com o objetivo de remunerar produtores rurais pela restauração florestal e manutenção de florestas “em pé” de suas propriedades. Pela primeira vez acontecendo no estado do Rio de Janeiro, o programa é uma iniciativa da The Nature Conservancy (TNC), Instituto Terra de Preservação Ambiental, Secretaria de Meio Ambiente doRJ, Instituto Estadual do Meio Ambiente do RJ, Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Guandu e Prefeitura Municipal de Rio Claro. O evento de lançamento acontece no Colégio Estadual Presidente Benes, em Lídice - Rio Claro, e conta com a presença do governador Sérgio Cabral e do ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, além de outras autoridades estaduais e municipais.

O programa Produtores de Água e Floresta consiste no pagamento pelos serviços ambientais – no caso proteção e produção de recursos hídricos – providos pelos proprietários rurais da região, que passam a ser denominados Produtores de Água e Floresta. Parte dos recursos para o pagamento é proveniente dos grandes usuários de água da Bacia Hidrográfica do rio Guandu, coletado pelo Comitê da bacia. Durante o evento será efetuado o pagamento aos 18 primeiros proprietários rurais que já aderiram ao projeto.

A área piloto do programa tem aproximadamente 5 mil hectares e está localizada na micro-bacia do rio das Pedras, situada no alto da Bacia do Guandu, no município de Rio Claro, onde nasce o rio Piraí - considerado o mais importante rio do sistema Guandu. A Bacia do Guandu, que também recebe água transposta do rio Paraíba do Sul, é responsável por cerca de 80% do abastecimento de água e 25% da geração de energia elétrica para a região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro, beneficiando aproximadamente 7 milhões de pessoas. A expectativa dos parceiros do projeto é iniciar os estudos para ampliação do Programa para mais duas microbacias até o final do ano.

O valor a ser pago pode chegar até R$ 60,00 por hectare/ano, a depender das particularidades de cada propriedade. Esse valor foi calculado de acordo com o custo de oportunidade local, localização e qualidade das florestas conservadas, atingindo valores equivalentes à receita líquida que os produtores rurais teriam se utilizassem a terra para outros usos, como a pecuária de corte ou leiteira. Em alguns casos, os proprietários poderão receber até R$ 6.000,00 pela área total inserida no projeto.

De acordo com o diretor executivo do Instituto Terra, Maurício Ruiz, “trata-se de uma iniciativa que atua no cerne da crise ambiental: o desequilíbrio entre ecologia e economia. Pela primeira vez, a sociedade moderna busca formas de valorizar o cuidado com a natureza, dando oportunidade às comunidades que só viam no extrativismo, no uso intensivo do solo ou nas cidades uma chance de desenvolvimento. Por meio de um sistema contínuo, cria-se agora uma espécie de cadeia produtiva com menos externalidades e uma nova atividade econômica, a dos produtores/conservadores de água e floresta”.

Os critérios utilizados para a escolha dos proprietários participantes foram: intenção de conservação ou restauração, quantidade de áreas prioritárias para a produção de água dentro da propriedade, estado de conservação de suas florestas e estar na área de abrangência do projeto, ou seja, na microbacia do rio das Pedras, inserida dentro da bacia do rio Piraí - Lídice - Rio Claro.

“Para nós da TNC, poder participar de uma iniciativa como esta é muito importante, não somente porque estamos falando da proteção aos mananciais da cidade do Rio de Janeiro, mas também porque estamos claramente assistindo a um processo de replicagem das experiências que já ocorrem no Sistema Cantareira, em São Paulo, sinalizando para uma nova tendência de conservação e restauração dos ecossistemas florestais, a qual contempla o reconhecimento econômico destes ecossistemas para o bem estar das populações urbanas”, complementaFernando Veiga, Coordenador de Serviços Ambientais da TNC.

A região do projeto se encontra dentro do chamado ‘Corredor de Biodiversidade Tinguá-Bocaina’. Esse corredor conecta os maciços florestais representados, de um lado, pela Reserva Biológica do Tinguá, na região central fluminense, e de outro, o Parque Estadual da Serra da Bocaina, no litoral sul. Sua área total soma 195.000 hectares de florestas no estado do Rio de Janeiro. O Ministério do Meio Ambiente e a UNESCO reconheceram esse corredor como sendo um das áreas prioritárias mais importantes para a conservação da biodiversidade na Mata Atlântica. A região Corredor Tinguá-Bocaina é considerada também o ponto mais crítico de fragmentação do cordão da Serra do Mar, que é a maior extensão contígua de Mata Atlântica ainda existente, se estendendo do Paraná até o Rio de Janeiro. Vários animais ameaçados de extinção habitam o local, como a suçuarana, a jaguatirica, o sagüi-de-serra-escuro e outros.

É dentro dos limites deste Corredor que correm os rios que formam o sistema Guandu, que por sua vez abastece toda a região metropolitana do Rio de Janeiro. A estratégia é fomentar diversas tecnologias de conservação, restauração florestal e uso sustentável que permitam esta reconexão tão importante para a biodiversidade e para o abastecimento da população. Os “Corredores de Biodiversidade” são mosaicos de diferentes usos do solo interligados por grandes blocos de florestas, contínuos ou não, que cobrem milhares de hectares, em paisagens entremeadas por áreas de usos humanos, como agricultura, cidades e rodovias, e grandes áreas verdes. Da perspectiva da biodiversidade, os corredores são regiões críticas para a conservação, pois visam conectar fragmentos florestais, garantindo assim as interações ecológicas e a troca genética entre as espécies. Populações de grandes mamíferos, como a onça pintada (Panthera onca), por exemplo, precisam de no mínimo 20 mil hectares de floresta tropical para que sejam mantidas a saúde e a estabilidade da espécie.

Fonte: Luiz Soares / LEAD Comunicação


Do Portal Celulose Online: José Batuíra de Assis - As abobrinhas do padre


30/06/2009 - O estigma de vilão vivido pelo eucalipto e os preconceitos contra essa árvore, às vezes, beiram as raias do absurdo. Não se tem a noção exata de como e onde eles se iniciaram, nem se explica como se alastraram feito uma praga. O fato é que estão cristalizados no imaginário popular, gerando fábulas e fantasias que se transformam em episódios como o que relatamos abaixo, onde o preconceito se mistura perigosamente a dogmas religiosos, induzindo os incautos à satanização do eucalipto.

O Calendário do Dízimo de 2004, da Paróquia Bom Pastor, Bairro Dom Cabral, em Belo Horizonte, foi montado com a contribuição de vários católicos do Brasil inteiro, que desfilaram belíssimos conceitos e expressaram sua convicção de que o dízimo, mais do que uma doação é uma partilha. E mais, deixaram claro que essa partilha é uma profissão de fé em Deus, nos Sacramentos e no amor ao próximo.

O amor e a fé são fundamentos espirituais característicos a todos os homens de bem, independente de sua cultura, crença ou religião. Nesse contexto os Sacramentos, assumidos e sempre presentes nas cerimônias religiosas e nas convicções dos católicos, são dogmas irretocáveis e constituem os pilares da Igreja Católica Apostólica Romana.

Talvez por ser fevereiro um mês atípico, a folha-calendário do dízimo, relativa a esse mês, traz uma contribuição, no mínimo bissexta, do padre Marino Van de Ven, da paróquia Santa Rita de Cássia, de Miradouro, cidade da Zona da Mata de Minas Gerais, que destoa inteiramente do conteúdo espiritualmente elevado das outras mensagens e nos convida a uma reflexão profunda sobre as fronteiras entre dogmas e preconceitos. O texto, denominado Eucaliptos e Abobreiras, diz o seguinte:

“Numa comunidade, uns são Eucaliptos; outros, Abobreiras.
O eucalipto sobe muito, muito alto, aparece demais.
Mas não oferece fruto algum. Gasta muita seiva só para
manter toda aquela pose e seca o terreno ao redor.

Na abobreira, ao contrário, não há aparências a manter.
Então, toda seiva vira fruto. Debaixo dela, o terreno é fértil: ela acaba devolvendo à terra muito mais do que dela retira.

Na sua comunidade, você é Eucalipto ou abobreira?
Descubra pelos frutos.
Pense nisso, quando chegar o momento de
ofertar o Dízimo”

Quisesse o Pároco, na sua parábola, exortar os fiéis a praticar a humildade, indicando que o caminho é ser rasteiro como a cucurbitácea abóbora e não elevado como a mirtácea eucalipto, ambas famílias do reino vegetal de Deus, até dá para entender.

Esqueceu-se, entretanto, o Reverendíssimo Padre, de que a obra do Criador é perfeita e que, como a própria Igreja proclama, Ele fez o homem à sua imagem e semelhança. Ora, como ficaria a pregação, se o ente ereto, alto e cheio de pose fosse Adão (imagem e semelhança de Deus) e o rasteiro fosse a serpente que seduziu Eva, ofereceu-lhe o fruto proibido e expulsou o casal do Paraíso?

Quando fala do eucalipto, dos frutos da abobreira e da relação de cada planta com o solo, as afirmações do padre descambam para o desconhecimento e desinformação, de forma descompromissada com a realidade. Os conhecedores do assunto sabem que a abóbora é rica em proteínas e por isso retira, com seu fruto, muitos nutrientes do solo. Esses nutrientes, no eucalipto, localizam-se mais nas folhas e nos ramos finos e, ao contrário do que o padre afirma, em grande parte ficam no terreno após a colheita. No tronco colhido predominam o carbono retirado do ar e o hidrogênio. Ambos são apartados do oxigênio, que é generosamente emitido para a atmosfera, purificando o ar que respiramos.

“Quem não sabe o que procura, não reconhece o que encontra”.

A enciclopédia Delta Larousse assim descreve o eucalipto: “Árvore da família das mirtáceas, adaptada aos solos mais diversos, em latitudes e altitudes opostas e de valor incomparável pela rapidez do crescimento, qualidade da madeira e facilidade de aclimação”.

Se o eucalipto secasse o solo, como disse o Padre, seria uma árvore suicida, pois como toda planta, ele necessita de água para sobreviver. O eucalipto cresce muito, sim, e no seu processo de crescimento retira o nocivo gás carbônico do ar, oferecendo em troca o saudável oxigênio, além de boa madeira para produzir o conforto e o bem-estar do homem. Substitui as árvores nativas nos fogões a lenha, nas serrarias, nas siderúrgicas, nas fábricas de celulose; e os combustíveis fósseis petróleo e carvão mineral na produção de energia, preservando os ecossistemas naturais e contribuindo para melhorar o clima do planeta.

Um poeta escreveu: “...mas o amor de que falo é outro e cá comigo matuto: É fácil negar a árvore, quando não se conhece o fruto”.

O fruto, às vezes, é uma fruta, como no caso da abóbora. Mas também pode ser o resultado de um trabalho, um bem ou um serviço. Os frutos do eucalipto estão no dia-a-dia de todos nós – no ferro do fogão a gás ou na lenha, nas panelas de barro ou de ferro, na mesa de madeira, aço ou nos tecidos de Tencel; nos talheres de aço, no guardanapo, nos alimentos embutidos (lingüiça, salsichas e outros), nos sorvetes e no filtro coador de café. Estão no papel higiênico e na pasta de dentes. Estão, humildemente, na moldura interna dos sofás da sala e na estrutura dos telhados. Estão em materiais de limpeza e em medicamentos. Estão na geração do chip do computador e do telefone celular, assim como da fibra ótica que interliga os telefones fixos. E nos acompanham no ferro e aço dos automóveis e outros meios de transporte.

Nada contra o Jerimum nordestino, o Mogango Sul Mineiro, a Menina Brasileira, a Italianinha ou, até mesmo, a híbrida japonesa Tetsukabuto. Todas são excelentes abóboras e importantes componentes do cardápio brasileiro. Mas abobrinhas, esconjuro!

Colunista: José Batuíra
Descrição: Engenheiro Florestal